Menopausa: Compreendendo os Sintomas e Descobrindo os Tratamentos Mais Recentes

A menopausa representa uma fase natural e inevitável na vida de toda mulher, marcando o fim do período reprodutivo. Embora seja um processo biológico normal, os sintomas associados podem impactar significativamente a qualidade de vida. Felizmente, os avanços médicos recentes oferecem novas perspectivas e alternativas terapêuticas mais eficazes e personalizadas.

O Que é a Menopausa e Quando Ocorre

A menopausa é definida clinicamente como a cessação permanente da menstruação por pelo menos 12 meses consecutivos, resultante da diminuição natural da produção hormonal pelos ovários. Geralmente ocorre entre os 45 e 55 anos, com média aos 51 anos no Brasil. O período que antecede a menopausa, conhecido como perimenopausa, pode durar alguns anos e já apresenta sintomas característicos.

Durante essa transição, os níveis de estrogênio e progesterona flutuam drasticamente antes de diminuir definitivamente. Essa variação hormonal é responsável pela ampla gama de sintomas físicos e emocionais que muitas mulheres experimentam.

Principais Sintomas da Menopausa

Sintomas Vasomotores

Os fogachos ou ondas de calor são talvez os sintomas mais reconhecíveis da menopausa, afetando cerca de 75% das mulheres. Caracterizam-se por uma sensação súbita de calor intenso que se espalha pelo corpo, especialmente no rosto, pescoço e tórax, frequentemente acompanhada de sudorese profusa e palpitações.

Os suores noturnos, uma variante dos fogachos que ocorre durante o sono, podem causar despertares frequentes e comprometer significativamente a qualidade do sono. Essa perturbação do padrão de sono pode gerar um ciclo vicioso de fadiga, irritabilidade e dificuldade de concentração durante o dia.

Alterações Urogenitais

A diminuição dos níveis de estrogênio afeta diretamente os tecidos da região urogenital, causando atrofia vulvovaginal. Os sintomas incluem ressecamento vaginal, diminuição da elasticidade dos tecidos, coceira, ardor e dor durante as relações sexuais (dispareunia).

Adicionalmente, muitas mulheres experimentam alterações urinárias, como aumento da frequência miccional, urgência urinária, noctúria (necessidade de urinar durante a noite) e maior susceptibilidade a infecções do trato urinário.

Sintomas Psicológicos e Cognitivos

As flutuações hormonais podem influenciar significativamente o humor e a função cognitiva. Sintomas como irritabilidade, ansiedade, episódios depressivos, alterações de humor e labilidade emocional são comuns durante a transição menopáusica.

Muitas mulheres relatam dificuldades de concentração, problemas de memória (frequentemente chamados de “névoa mental”) e sensação de diminuição da agilidade mental. Embora esses sintomas possam ser preocupantes, geralmente são temporários e melhoram com o tempo e tratamento adequado.

Alterações Metabólicas e Físicas

A redução do estrogênio está associada a mudanças na composição corporal, incluindo aumento da gordura abdominal e diminuição da massa muscular. O metabolismo pode desacelerar, facilitando o ganho de peso mesmo sem mudanças significativas na dieta ou atividade física.

Outras alterações físicas incluem ressecamento da pele e cabelos, perda de elasticidade cutânea, diminuição da densidade óssea (aumentando o risco de osteoporose) e alterações na distribuição de gordura corporal.

Tratamentos Modernos para a Menopausa

Terapia Hormonal da Menopausa (THM)

A terapia hormonal da menopausa continua sendo o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores moderados a severos. Os regimes modernos utilizam doses menores de hormônios e vias de administração mais seguras, como adesivos transdérmicos, géis e sprays nasais.

As formulações atuais incluem estrogênios bioequivalentes e progestágenos com perfis de segurança melhorados. A terapia combinada (estrogênio + progestágeno) é indicada para mulheres com útero preservado, enquanto a monoterapia com estrogênio é reservada para aquelas submetidas à histerectomia.

Terapias Não Hormonais Inovadoras

Recentes avanços farmacológicos introduziram alternativas não hormonais eficazes. Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina (ISRSNs), como a venlafaxina e desvenlafaxina, demonstraram eficácia na redução dos fogachos.

A gabapentina, originalmente desenvolvida como anticonvulsivante, mostrou-se eficaz no tratamento de fogachos, especialmente em mulheres que não podem ou não desejam usar terapia hormonal.

Tratamentos Locais para Sintomas Urogenitais

Os lubrificantes vaginais à base de ácido hialurônico representam uma inovação significativa no tratamento da atrofia vulvovaginal. Esses produtos promovem a hidratação prolongada dos tecidos e estimulam a regeneração celular.

Os estrogênios tópicos de baixa dose, disponíveis em cremes, óvulos e anéis vaginais, proporcionam alívio localizado dos sintomas urogenitais com absorção sistêmica mínima, sendo uma opção segura mesmo para mulheres com contraindicações à terapia hormonal sistêmica.

Medicina Integrativa e Terapias Complementares

A fitoterapia ganhou reconhecimento científico com estudos demonstrando a eficácia de extratos padronizados de plantas como a cimicifuga racemosa (black cohosh) e isoflavonas de soja na redução de sintomas menopáusicos.

A acupuntura tem mostrado resultados promissores no controle de fogachos e melhora da qualidade do sono. Técnicas de relaxamento, yoga e meditação também contribuem para o bem-estar geral e manejo do estresse durante essa transição.

Contraindicações e Considerações Importantes

Contraindicações Absolutas à Terapia Hormonal

Certas condições médicas constituem contraindicações absolutas ao uso de terapia hormonal, incluindo história pessoal de câncer de mama ou endométrio, doença tromboembólica ativa, doença hepática grave, sangramento vaginal não investigado e porfiria cutânea.

Mulheres com história de acidente vascular cerebral, infarto agudo do miocárdio recente ou hipertensão arterial não controlada também devem evitar a terapia hormonal sistêmica.

Contraindicações Relativas e Precauções

Algumas situações requerem avaliação individualizada e monitoramento rigoroso, como diabetes mellitus, hipertensão controlada, enxaqueca com aura, lúpus eritematoso sistêmico e histórico familiar de câncer de mama.

A idade também é um fator importante: mulheres que iniciam terapia hormonal após os 60 anos ou mais de 10 anos após a menopausa apresentam maior risco de eventos cardiovasculares.

Efeitos Adversos dos Tratamentos Não Hormonais

Os tratamentos não hormonais também apresentam potenciais efeitos adversos. Os ISRSNs podem causar náuseas, tontura, insônia e diminuição da libido. A gabapentina pode provocar sonolência, tontura e edema periférico.

A Importância da Individualização do Tratamento

O manejo moderno da menopausa baseia-se na medicina personalizada, considerando o perfil individual de sintomas, fatores de risco, preferências pessoais e qualidade de vida. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia recomenda uma abordagem multidisciplinar que pode incluir ginecologistas, endocrinologistas, psicólogos e nutricionistas.

A avaliação inicial deve incluir anamnese detalhada, exame físico completo, avaliação da densidade óssea e exames laboratoriais específicos para identificar fatores de risco e contraindicações.

Perspectivas Futuras e Pesquisas Emergentes

A pesquisa científica continua evoluindo, explorando novas modalidades terapêuticas como os moduladores seletivos dos receptores de estrogênio (SERMs) de terceira geração e terapias genéticas. Estudos sobre o microbioma vaginal e sua relação com a saúde urogenital pós-menopáusica também prometem revolucionar o tratamento.

Mudanças no Estilo de Vida Como Complemento Terapêutico

Independentemente da modalidade terapêutica escolhida, modificações no estilo de vida constituem pilares fundamentais do tratamento. A prática regular de exercícios físicos, especialmente exercícios de resistência, ajuda a manter a densidade óssea e controlar o peso.

Uma alimentação equilibrada, rica em cálcio, vitamina D e fitoestrógenos, contribui para a saúde óssea e pode amenizar alguns sintomas. A redução do consumo de cafeína, álcool e alimentos picantes pode diminuir a intensidade dos fogachos.

Importante: As informações contidas neste artigo têm caráter meramente educativo e informativo, não substituindo em hipótese alguma a consulta médica especializada. Cada mulher apresenta um perfil único de sintomas e necessidades, tornando fundamental a avaliação individualizada por um ginecologista ou especialista em climatério. Somente um profissional qualificado pode realizar o diagnóstico adequado, avaliar contraindicações específicas e prescrever o tratamento mais apropriado para cada caso. Não inicie qualquer tratamento sem orientação médica prévia. Caso tenha interesse em se aprofundar no assunto recomenda-se avaliar o CURSO MENOPAUSA NATURAL SEM CALORÕES.

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