O acesso direto à internet via satélite permite que smartphones se conectem diretamente a satélites para acesso à internet, mensagens de texto e chamadas, eliminando zonas mortas onde as torres de celular tradicionais não alcançam. Essa tecnologia, pioneira por empresas como Starlink e AST SpaceMobile, utiliza satélites em órbita terrestre baixa (LEO) que atuam como torres de celular no espaço, conectando-se a celulares existentes sem a necessidade de hardware ou aplicativos especializados.
A Starlink, empresa da SpaceX fundada por Elon Musk, já opera no Brasil desde janeiro de 2022, com licença da Anatel para até 4.408 satélites. Em abril de 2025, recebeu autorização para ampliar a frota em mais 7.500 unidades, mediante pagamento de outorga simbólica de cerca de R$ 102.677.
Até o início de 2025, tinha cerca de 334 mil clientes no Brasil (0,5 % das conexões nacionais) reuters.com. Portanto, ainda é uma fatia pequena, mas importante em regiões remotas ou áreas com infraestrutura limitada.
Sem hardware especializado: Ao contrário dos telefones via satélite mais antigos, essa tecnologia funciona com smartphones existentes, eliminando a necessidade de equipamentos adicionais. Nem mesmo os tradicionais chips seriam necessários.
📱 Acesso via celular — tecnologia Direct‑to‑Cell
Em 2024, a Starlink iniciou testes da funcionalidade Direct‑to‑Cell (DS2D), que permite celulares compatíveis se conectarem diretamente aos satélites, sem depender de antenas terrestres ou operadoras tradicionais.
Nos EUA, a parceria com a T‑Mobile permitiu mensagens de texto via satélite a partir de smartphones compatíveis: iPhone 14, 15 e 16; Google Pixel 9; Motorola Razr (2024), Moto Edge, Moto G Power 5G; Samsung Galaxy A14 a A54, S21 a S25 e Z Flip 3 a Z Flip 6.
Em 2025, o Brasil deve seguir esse caminho, dependendo de acordos com operadoras nacionais e homologação dos aparelhos.
Nesse tipo de tecnologia, as tradicionais ERB (Estações Rádio-Base) seriam substituídas pelos satélites de baixa órbita saindo totalmente da dependência da infraestrutura das operadoras de telefonia convencioais.
Para a função Direct-to-Cell (conexão direta de celulares aos satélites), a Starlink usa:
🔹 Banda UHF / LTE (1.9 GHz)
- Frequência em torno de 1.9 GHz (Banda 2 de LTE).
- Isso permite que celulares comuns, sem antena especial, se comuniquem com satélites como se estivessem falando com uma torre celular.
- Essa faixa é licenciada localmente — nos EUA, por exemplo, é usada em parceria com a T-Mobile.
No Brasil, para que essa funcionalidade opere, seria necessário um acordo com operadoras locais que detenham o uso dessa faixa e a aprovação da Anatel.
🛰️ TABELA COMPARATIVA – FREQUÊNCIAS STARLINK VS REDES MÓVEIS
| Sistema | Faixa de Frequência | Uso principal | Características Técnicas |
|---|---|---|---|
| Starlink Banda Ku | 10,7 – 12,7 GHz (downlink) 14,0 – 14,5 GHz (uplink) | Comunicação entre terminal do usuário e satélite | Boa penetração atmosférica, alta largura de banda |
| Starlink Banda Ka | 17,8 – 30 GHz (varia por país) | Comunicação entre satélite e estação terrestre (gateway) | Mais capacidade, mas sensível à chuva |
| Starlink Banda V (futura) | 60 – 70 GHz | Comunicação satélite-satélite (interlinks) | Alta velocidade, curto alcance, testes iniciais |
| Direct-to-Cell Starlink | 1,9 GHz (Banda 2 do LTE) | Comunicação direta entre celular comum e satélite | Compatível com smartphones existentes |
| 4G LTE Brasil | 700 MHz, 1.8 GHz, 2.6 GHz | Rede móvel tradicional (torres terrestres) | Boa cobertura urbana e rural |
| 5G Brasil | 3.5 GHz (n78), 26 GHz (mmWave) | Altas velocidades e baixa latência | Cobertura limitada nas frequências mais alta |
Custos, planos e data da disponibilidade no Brasil
Conforme apurado em abril–maio de 2025:
- Plano Residencial: mensalidade de R$ 236, com kit padrão por volta de R$ 2.400.
- Plano Viagem / Starlink Mini (internet móvel pela antena portátil): R$ 315/mês + R$ 1.799 kit Mini, com opção ilimitada por até R$ 576/mês.
- Kit Starlink Mini já está disponível no Brasil por R$ 1.799, com planos ativos a partir de julho de 2025, em áreas sem cobertura de operadoras tradicionais, para envio de SMS, localização de emergência etc.
Importante salientar que a funcionalidade de internet de dados (navegação, voz) via celular satelital ainda está em fase inicial, e pode levar alguns meses até adoção no Brasil.
Impacto na liberdade de expressão
Vantagens
- Conectividade em regiões remotas: comunidades na Amazônia, pequenas aldeias ou regiões distantes ganham acesso mesmo sem antenas terrestres.
- Resiliência em crises: em casos de bloqueios ou interrupções de redes terrestres, a voz e o acesso à informação podem permanecer disponíveis.
- Descentralização do controle: Satélites independem da infraestrutura local, dificultando práticas como censura centrada. Dessa forma, o controle estatal sobre a internet hoje existente em tese deixaria de existir tendo em vista que toda infraestrutura necessária para acesso a internet deixará de existir na configuração atual.
Limitações e riscos
- Dependência de um agente privado: A Starlink, embora não monitore ou censure conteúdo ativamente, é uma empresa privada. Um eventual bloqueio ou paralisação pode impactar diretamente a conectividade.
- Liberdade de expressão: especialistas alertam que decisões judiciais podem afetar milhões de usuários que dependem da Starlink, especialmente na Amazônia e áreas vulneráveis.
Ainda que a média de usuários via satellite no Brasil seja pequena, em regiões específicas como a Amazônia, ONGs, comunidades tradicionais e imprensa local podem aumentar sua exposição ao risco de interrupções não previstas.
Considerações finais: o futuro da Starlink via celular no Brasil
A chegada da internet via celular via Starlink é uma promessa significativa para democratizar o acesso, levando conectividade a regiões isoladas. Se compatibilizada com o smartphone certo — e homologada —, a rede Direct‑to‑Cell permitirá envio de mensagens, eventual chamadas e, futuramente, dados móveis.
Em termos de custo, há um investimento inicial significativo (kit de R$ 1.799 a R$ 2.400) e mensalidades que variam entre R$ 236 e R$ 576, dependendo do plano e perfil de uso, com possibilidade de 30 dias de teste gratuitos.
No entanto, o modelo também levanta debates sobre soberania digital e liberdade de expressão. A dependência de uma empresa estrangeira para acesso em regiões cruciais, aliada a disputas judiciais já reais no Brasil, traz incertezas sobre quem controla ou pode interferir no acesso ao serviço.
Para acompanhar lançamentos e planos atualizados em seu endereço, visite o site oficial da Starlink Brasil e use o mapa de disponibilidade. Você também pode conferir outros detalhes importantes sobre compatibilidade de aparelhos no Uai Notícias ou no Olhar Digita

